
Quando buscamos os segredos da longevidade, geralmente esperamos encontrar respostas em dietas rigorosas, rotinas de exercícios exaustivas ou práticas de meditação milenares. Imaginamos chás verdes, pratos de vegetais e muitas horas de sono. No entanto, de tempos em tempos, surgem figuras que desafiam todas as nossas expectativas com uma sabedoria popular tão simples quanto surpreendente. É o caso de centenárias como Iolanda, uma italiana de 105 anos, cujo conselho para uma vida longa viralizou e encantou o mundo: uma cerveja por dia e, acima de tudo, manter-se solteira.
Longe de ser uma prescrição médica, a “fórmula” de Iolanda e de outras mulheres com histórias semelhantes oferece uma visão fascinante sobre o que pode realmente importar para uma vida longa e, mais importante, feliz. Enquanto a ciência se debruça sobre os efeitos do álcool e do estado civil na saúde, a lição dessas matriarcas parece apontar para um denominador comum que todos os especialistas reconhecem como fundamental: a importância de uma vida com menos estresse, mais prazer e, acima de tudo, vivida nos seus próprios termos.
Um Brinde à Vida: A Cerveja Como Ritual de Prazer
A recomendação de uma cerveja diária pode causar estranheza em um primeiro momento, mas, ao olhar mais de perto, o segredo pode não estar na bebida em si, mas no ritual. Para muitas dessas centenárias, o copo de cerveja no final do dia representa um momento de pausa, um pequeno prazer diário e uma forma de relaxamento. É um ato simbólico de descompressão, um sinal para o corpo e para a mente de que as obrigações do dia terminaram e que agora é tempo de desfrutar. Esse tipo de ritual consistente de prazer é reconhecido pela psicologia como uma ferramenta poderosa para o bem-estar.
A ciência sobre o consumo de álcool é complexa. Enquanto o excesso é indiscutivelmente prejudicial, alguns estudos já associaram o consumo muito moderado de certas bebidas, como o vinho tinto e a cerveja, a alguns benefícios cardiovasculares, possivelmente devido aos antioxidantes. No entanto, os especialistas concordam que o segredo de Iolanda provavelmente não está nas propriedades bioquímicas da cerveja, mas sim no efeito que esse hábito tem em sua rotina: um pequeno luxo diário que lhe traz alegria e alivia a tensão.
A Independência Como Tônico: Os Benefícios da Vida de Solteira
A segunda parte do conselho, “manter-se solteira”, é ainda mais provocadora e profunda. Para uma mulher da geração de Iolanda, que cresceu em uma época em que o casamento e a criação dos filhos eram vistos como a principal, se não a única, vocação feminina, a escolha de permanecer solteira era um ato radical de autonomia. Essa decisão pode ter sido a chave para uma vida com significativamente menos estresse. O casamento, embora possa trazer imensas alegrias, também pode ser uma fonte considerável de pressão, compromissos e sacrifícios emocionais.
Ao optar por não se casar, essas mulheres se livraram de uma camada de obrigações e dramas interpessoais que, segundo elas, poderiam ter “desgastado” sua saúde. Essa perspectiva não é necessariamente um manifesto contra o amor ou os relacionamentos, mas sim uma celebração da independência e da autossuficiência. Viver uma vida onde suas decisões não precisam ser constantemente negociadas e onde seu tempo e energia são primordialmente seus pode, de fato, ser um poderoso tônico para a longevidade, ao reduzir drasticamente os níveis de cortisol, o hormônio do estresse crônico.
O Fator Comum: Menos Estresse e Mais Autonomia
Analisando os dois “segredos” juntos, emerge um tema central: a gestão do estresse e a autonomia pessoal. Tanto o ritual de relaxamento com a cerveja quanto a escolha de uma vida independente apontam para uma existência onde a prioridade é a paz de espírito da própria pessoa. E é aqui que a sabedoria popular de Iolanda encontra o consenso científico. Pesquisadores das “Blue Zones” (zonas azuis), as regiões do mundo com a maior concentração de centenários, identificaram que uma das características comuns a todos esses povos é que eles possuem rotinas eficazes para aliviar o estresse.
Seja através da soneca diária dos mediterrâneos, da hora feliz dos adventistas ou da contemplação dos ancestrais em Okinawa, a capacidade de se livrar do estresse é fundamental. O conselho de Iolanda é apenas a sua versão pessoal e autêntica dessa mesma prática. Ela encontrou sua própria maneira de navegar pela vida com menos atrito emocional e mais contentamento, e essa pode ser a lição mais valiosa que ela nos oferece.
Conclusão
A história da centenária que credita sua longa vida à cerveja e à solteirice é um lembrete encantador de que não existe uma fórmula única para a longevidade. Talvez o segredo não seja imitar seus hábitos, mas sim sua atitude. A verdadeira lição pode ser a importância de nos conhecermos bem o suficiente para saber o que nos traz paz e o que nos causa estresse, e ter a coragem de construir uma vida em torno disso, mesmo que nossas escolhas pareçam não convencionais para os outros.
Afinal, a busca por uma vida longa deve ser também a busca por uma vida boa. E, para algumas pessoas, uma vida boa pode muito bem incluir um brinde diário à liberdade e à própria companhia, provando que a felicidade, assim como a longevidade, vem em muitas formas diferentes.

Sobre o Autor
Escritora e pesquisadora da saúde mental. Desde sempre, sou fascinada pelo poder das palavras e das pequenas mudanças de perspectiva para transformar o dia a dia. Como uma entusiasta do desenvolvimento pessoal, dedico meu tempo a estudar e compilar ideias que possam trazer inspiração. Busco sempre basear minhas reflexões em fontes diversas confáveis e verificadas para apresentar diferentes perspectivas sobre os temas abordados, com responsabilidade e respeito.


